ENTREVISTAS

Nathalia Pires. Muito surf e amor pelas ondas

Ela representa muito bem a nova geração feminina do bodyboard do RN. Vamos falar sobre os talentos do estado, trips e o amor que ela tem pelo mar e suas ondas. Conheça um pouco mais Nathalia Pires e seus sonhos e objetivos no esporte.

VPM – Vou começar pedindo para você falar um pouco sobre como começou no esporte e quais os seus planos para o futuro. Vai competir ou apenas curtir um freesurf?

Desde criança eu sou apaixonada pelo mar, sempre curti minhas férias na praia e amava ficar sacando os surfistas lá. Em 2008, 2009 eu pagava de surfistinha no colégio, hahaha, e ganhei uma prancha de bodyboard daquelas de espuma/isopor nesses anos, daí eu vivia indo pra dentro do mar em Tabatinga, aqui no RN com 13, 14 anos, mas só “pegava jacaré” porque não tinha ninguém pra me ensinar. Só vim aprender mesmo com, 18 pra 19 anos, 2013/2014, com um ex-namorado. Ele e a galera dele eram todos bodyboarders, então eu me enturmei de comecei a surfar semanalmente e continuei, me apaixonando mais e mais pelo lifestyle. Hoje em dia surfo no mínimo 3x por semana!

Não vou mentir que de vez em quando me imagino evoluindo muito e correndo campeonatos mundiais, mais isso não é um sonho em evidência na minha cabeça, acho que principalmente pela falta de incentivo. Mas amo o bodyboard e surfar hoje move minha vida… quero poder viajar o mundo surfando ondas por todos os lugares (esse é meu sonho de vida real).

VPM – Quais os seus pico preferidos no estado?

Apesar do crowd, amo surfar em Miami, que considero minha “praia local”. Além dela, curto Tabatinga, Lajinha e Lajão (Pipa).

 

VPM – Você é uma das poucas mulheres em atividade no estado. O que você acha que falta para o bodyboard feminino voltar a ser forte no RN?

Incentivo de todos os lados… tanto daqueles que podem patrocinar eventos, quanto da própria mídia que trabalha com surf e esportes radicais – o bodyboard ainda é muito apagado nesse tipo de mídia e quando aparece, não ressalta tanto o lado esportivo feminino, costumam sempre ressaltar as mulheres de forma sensual e pouco como atletas. Além disso, os (as) próprios (as) veteranos (as) poderiam incentivar mais, ensinando e apoiando as novas mulheres que estão aparecendo no esporte… Eu por exemplo, venho surfando e aprendendo manobras sempre sozinha, acho que se tivesse mais movimento e união entre homens e mulheres do bodyboard aqui, iriamos evoluir mais. Também sei que muitas meninas tem vontade de aprender bodyboard, muitas já até chegaram pra mim e pediram pra ensinar. Pretendo reuni-las algum dia para tentar fazer isso.

VPM – Quais os atletas locais que você considera que mandam muito bem?

Não conheço tantos… Mas um dos que lembro ver desde que comecei a praticar, em campeonatos, e lembro me impressionar muito com seu surf, é o Keke. Além dele, tem a Priscilla Medeiros, que tá se destacando e correndo campeonatos mundiais e a Aline Mello, que manda muuuito, desde muito tempo. As duas também já me deram boas dicas pra evoluir!

 

VPM – Você fez uma trip recentemente pra Nicarágua. Fala pra gente um pouco de como foi a experiência e como as ondas de funcionam.

Foi uma experiência espetacular. Minha primeira surftrip pra fora do país! Na verdade, fui para Costa Rica e Nicarágua. Surfei em picos que nem imaginava que conseguiria surfar, ondas de 6, 7, 8 pés… As ondas da Costa Rica variam muito! Tem pra todos os gostos e níveis de surf, as que mais curti foram as de Playa Hermosa (muito pesada e rápida) e as da Roca Bruja (Perfeitas, abrindo pros dois lados). Não lembro de ter pego onda que não fosse tubular lá, hahaha.

Nicarágua foi um sonho também. 7 dias internados num surf camp surfando de manhã e de tarde. Acordávamos as 4h da manhã pra surfar, surfávamos até 12h. Almoçávamos, comíamos e surfávamos de novo até as 17h30, hahaha. O pico principal, The Boom, era um verdadeiro paraísos pros bodyboarders! Só drop e tubo, na beira, abrindo pros dois lados, formação perfeita. Um sonho!

VPM – Um swell inesquecível?

Final de 2015, um swell que entrou dia 28, 29 de Dezembro. Peguei ele na lajinha. Foi bem marcante pra mim. E houve outro também, em 2015 se não me engano, em março… Rio doce quebrando CLÁSSICO, liso e tubular, inesquecível!

 

VPM – Aquele pico que dá aquele frio na barriga?

Lajinha e Shorebreak (tabatinga).

VPM – Manobra predileta?

Que estou praticando, o rolo.  Que admiro (e pretendo fazer um dia), o ARS.

 

VPM – Por fim. Manda o seu recado pra galera do Vem Pro Mar.

Galera, parabéns pela iniciativa de incentivar o nosso esporte! Curti demais o projeto de vocês desde o início e tem o meu total apoio pra que se tornem uma mídia cada vez maior!

 

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