ENTREVISTAS

Guilherme Tâmega, Vem Pro Mar!

Guilherme Tâmega dispensa apresentações. Ele é o maior ídolo do esporte no Brasil e é conhecido nesse esporte como “a máquina de competição” devido a suas implacáveis buscas de vitórias. Conheçam um pouco mais da historia desse grande representante do Brasil no mundo.

 

VPM – Olhando pra trás, lá em 1985, você imaginaria que seria o maior nome do bodyboard brasileiro e que seria hexacampeão mundial?

Não, eu nunca imaginei que eu chegaria a ser campeão mundial, quanto mais hexa. Acho que tudo na vida acontece naturalmente. Eu tinha talento, sabia que eu poderia ser o melhor do Brasil e dali, sendo o melhor do Brasil, eu queria conquistar o mundo. Eu era ambicioso, em cima do que eu tinha. E isso tudo é o conjunto da criação que você tem, dos pais, da força que você tem. Isso tudo influi na criação de atleta de ponta. Graças a Deus eu tive um suporte dos meus pais, não muito de dinheiro, mas o dinheiro vem do patrocinador, quando você é bom. Então, tudo deu certo pra mim. Graças a Deus eu tive uma carreira excepcional, que é um conjunto de talento, de força, de apoio e de criação.

 

VPM – Como é ser o maior ídolo do esporte no país?

Bem, ser o maior ídolo do esporte no país é o resultado do trabalho. É uma honra. Eu defendi o Brasil, o meu país, praticamente a minha vida toda. Eu lutei, eu guerreei durante mais de 20 anos, contra preconceitos que o brasileiro sofre quando chega lá fora, que os países menores sofrem quando batem de frente com Estados Unidos e Austrália e etc. Então, isso aí só me deu força. Ser brasileiro só me ajudou. Ser brasileiro me ajudou naquela raça brasileira, na vontade de querer vencer, na vontade de fazer eles calarem a boca, na vontade de mostrar pra eles que eles não são tudo isso aqui no mundo do bodyboard. Que temos a gente aqui também, aqui embaixo, no Brasil tem muito talento e vocês precisam saber. Então, o meu objetivo era mostrar pra eles esse talento que o Guilherme Tâmega tinha. Não só o Guilherme, mas o brasileiro também. Eu sentia que era a representação geral, não só minha, mas do meu país, dos brasileiros. Sempre quis ser o melhor brasileiro, sempre quis ser o melhor do mundo e isso eu tenho orgulho do que eu fiz.

Foto: Danny Wayne

 

VPM – É impossível evoluir sem ter referências. Quais foram as suas principais referencias para poder ser um grande atleta?

Bem, muitos profissionais na época me ajudaram, como referência. Eu nunca quis ser igual a alguém e sim, eu quis vencer todos eles. Eu nunca tive um cara:Ah, eu queria ser igual a ele… Eu cresci querendo se ele… Não. Eu não fui assim, eu não sou assim. Eu queira sim, saber quem era o melhor e o melhor sempre foi, na época, o Mike Stewart, que era o Rei do Bodyboard e eu queria destronar o rei. O meu objetivo era acabar com ele e quem mais fosse rei. A minha vontade, a minha motivação é destruir quem está no topo e isso eu consegui bem.

 

VPM – Agora que você é empresário e tem uma das principais marcas do mercado, quais os planos para investir em atletas e mercado?

A GT Boards é igual a mim. A minha empresa tem mais ou menos a visão de querer ser a melhor e querer ajudar ao mesmo tempo. Eu quero crescer fazendo a diferença. A GT Boards não quer crescer vendendo prancha e “enchendo o rabo de dinheiro”. Eu quero crescer sendo diferente, eu quero crescer fazendo a diferença, a GT Boards quer crescer representando o Brasil, igual ao Guilherme Tâmega representou dentro d’água e a GT Boards agora representando o Brasil fora d’água, que o buraco é muito mais embaixo. Não depende do meu talento em si, como bodyboarder e sim, como designer e marketing.

 

VPM – Quais os atletas que fazem parte da equipe GT hoje?

A GT Boards tem muito atletas pelo mundo todo. No Brasil, me desculpe se eu esquecer de alguém, são tantos… No Brasil tem o Uri Valadão, no Rio de Janeiro tem o Eric Poseidon, tem o Sócrates Santana, tem o Matheus Bastos, tem o Popó de São Conrado, tem o Franciley Ferreira, no Posto 5 também, tem atleta na Costa Rica, tem atleta aqui no Hawaii, tem atleta na Espanha, Portugal e por aí vai. Eu gosto de que meus atletas façam a diferença. E claro, o Iain Campbell, que quase foi campeão mundial, bateu na trave, mas em 2017 a equipe vem forte e vamos vir com tudo.

 

VPM – Em todos esses anos de carreira, quais foram seus principais adversários, aquele competidor que dava trabalho sempre?

Eu tive vários adversários durante anos, eu passei por muitas gerações e os principais deles foram: Mike Stewart na época, Ben Holland, eu passei anos disputando título com Ben Holland, o Michael Eclestone que foi campeão mundial aqui no Hawaii, ele também foi um baita de um adversário. Depois veio a nova geração australiana, o Ben Player, o Hardy (Ryan Hardy), o Winchester (Dave Winchester)… Foram muitos adversários, mas esses que eu falei foram os principais. Foram com quem as batalhas foram as maiores. Uri Valadão também, que ganhou o campeonato Mundial, foi campeão mundial, brasileiro, também foi um baita de um adversário.

VPM – Como você avalia o circuito mundial hoje. O que falta para ter a repercussão que o surfe tem?

O Circuito Mundial de Bodyboard é complicado. A gente não tem o apoio que o surf tem. Não tem uma bodyboardwear, uma linha de bodyboard de roupa, que é onde vem o dinheiro do surf. Então, a gente tem que trabalhar em cima do que a gente tem.

 

VPM – Qual o pico inesquecível?

Meu pico inesquecível pra mim é Pipeline. É minha onda favorita e é onde eu trabalho, praticamente, todo dia de lifeguard, salva-vidas. Agora, outra que é inesquecível é Teahupoo no Tahiti, que é uma onda que não tem como você se esquecer dela.

VPM – Qual a onda mais difícil de ser surfada?

O pico mais difícil de surfar eu acho que é Pipeline. Teahupoo é difícil também, mas Teahupoo é mais coragem e botar pra baixo, do que difícil. Pipeline ela é coragem e dificuldade maior Teahupoo. Teahupoo é mais coragem, Pipe é mais dificuldade. Tem certos momentos em Pipe que é bem complicado.

VPM – Fale um pouco sobre a GT e sua vida como empresário agora. Quais os planos para o futuro?

Bem, a vida de empresário não é fácil, não. É bem desafiante, você lida com muito preconceito e muita competição. As pessoas fazem de tudo para passarem por cima de você, por cliente, por tudo, e tem muita panelinha. Então, é o que eu falei, a GT é o Guilherme Tâmega fora d’água. Eu vou lutar o tempo todo pelos meus ideais e pelo que é certo para a empresa e para o esporte, principalmente.

 

VPM – Por fim. Manda uma mensagem para os atletas que estão sempre com a gente no vem pro mar.

É isso aí, galera! Um abraço do Guilherme Tâmega. Espero que todos estejam pegando altas ondas e que valorizem o que é nosso. Se nós não nos ajudarmos, quem vai? Abraço a todos! Tamojunto!

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