ENTREVISTAS

Paulo Barcellos. Vem pro mar!

Como foi parar de surfar e começar a fotografar depois de 14 anos competindo no Circuito Mundial?

Tive muitos problemas físicos devido ao tempo no esporte. Após a segunda hérnia de disco não tinha mais como continuar seguindo a carreira como atleta profissional. Devido às dores fui obrigado a procurar uma segunda carreira, como sou Analista de Sistemas e não queria passar meus dias preso dentro do escritório, meu grande amigo Gustavo Camarão me sugeriu comprar uma caixa estanque com a máquina e pronto, apareceu o Paulo Barcellos fotógrafo.

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Como atleta, qual a sua melhor lembrança?

Difícil de dizer a melhor lembrança, mas todos meus anos no Circuito, amigos em todos os países aonde fui competir, culturas diferentes da minha, lugares maravilhosos.

Em termos de competição, ganhar o Circuito Mundial em 2000 e vencer a etapa de Pipeline em 2009, realmente vão ficar marcados na minha memória.

 

Agora como fotógrafo, qual o melhor registro?

Posso dizer que meu primeiro dia fotografando na vida, entrei em Pipeline grande e clássico com a minha fisheye, tive uma aula com o Camarão para entender sobre foco e os controles da máquina e pronto, foram mais de 6 horas fotografando. Quando saí do mar, com as fotos da sessão, eu tinha pago o investimento do equipamento e mais 1.000 dólares de lucro.

 

Quais os melhores picos para fazer imagens de bodyboard?

Adoro Pipeline, mas existem lugares maravilhosos na Austrália, Canárias, Tahiti, Chile… Qualquer lugar onde tem um aglomerado de bodyboarders bons é quase certo que o fotógrafo vai fazer excelentes imagens. Só precisa ficar bem embaixo para poder captar os melhores momentos.

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Você já surfou vários picos durante todo esse período surfando e fotografando. Qual o mais especial?

Sou apaixonado por Pipeline. A onda é realmente mágica, perigosa e assustadora ao mesmo tempo. Eu tenho história naquela rasa bancada de pedra. Ela quebra bem perto da areia, sempre com uma força enorme, e além de você conseguir pegar um dos tubos mais pesados da sua vida, ela lhe proporciona uma sessão para manobrar perfeita.

Lógico que Teahupoo é outra bancada que você consegue superar seus limites de medo e adrenalina. Uma onda que eu adoro surfar é o El Gringo no norte do Chile, onda muito pesada, sem crowd e além de ter muitos amigos lá.

 

O mar está gigante. Foto ou prancha? Deve bater uma dúvida grande.

Eu não tenho esse problema em escolher o que estarei fazendo. Quando estou trabalhando, eu sou muito profissional e não penso em surfar, só me concentro para não ter nenhum acidente e não perder nenhuma onda da pessoa que me contratou.

Prefiro cobrar um preço justo do meu trabalho e tirar férias para surfar, onde eu nem levo a câmera, apenas uma Gopro para registrar meus tubos! Rsss

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Você hoje tem dois programas no canal OFF. Quais os planos para o futuro?

No ano de 2015 não gravamos ambas as séries, mas eu continuo trabalhando nos programas do Gabriel Medina, Carlos Burle, Pedro Scobby, entre outros do Canal OFF, mas acredito que esse ano de 2016 iremos retomar esses projetos, que ambos me deixam muito contente de participar.

 

Como é ser campeão mundial? Conta um pouco dessa emoção.

Realmente, você conseguir se tornar o número 1 do mundo na profissão que escolheu é muito gratificante. Eu realmente sou uma pessoa que me cobro muito, em tudo que começo a fazer eu me esforço ao máximo para que eu consiga os melhores resultados naquilo que estou fazendo. No bodyboard não foi diferente. Treinei muito e me tornei Campeão Mundial, e na fotografia não está sendo diferente. Eu tento hoje em dia me tornar um ícone da categoria de captação de imagens aquáticas.

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Pra finalizar, manda uma mensagem pra galera que curte o Vem Pro Mar.

Continuem atrás dos seus sonhos, estudem e trabalhem muito, porque nada na vida vem fácil. Curtam muito seus familiares e amigos e quero ver todos dentro d’água.

 

 

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