ENTREVISTAS

Neildo. A lenda do bodyboard potiguar.

Hoje a nossa conversa é com uma verdadeira lenda do esporte potiguar.  Neildo, conhecido como o estilo mais elegante do RN.

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Como você começou no Bodyboarding?

Eu vi um campeonato na televisão e me interessei na hora. Pouco tempo depois Clarice e Marjorie (irmãs de coração) compraram pranchas e eu esperava elas terminarem de surfar para pegar a prancha emprestado para dar uma caída. Foi luta para eu ganhar a primeira prancha, pois meu pai achava que surfar era coisa de drogado, mas nada como passar em todas (as matérias) no terceiro bimestre (do colégio) para ajudar a convencer.

Qual a bateria que mais te marcou em competições?

Teve um circuito chamado Copa Brasil de Bobyboard e teve uma etapa na Taíba (CE). O evento foi todo inesquecível. Saímos de Natal em uma Kombi e chegamos na Taíba umas 12 horas depois. Nesse campeonato 2 baterias me marcaram muito. Uma em que eu virei a bateria na contagem regressiva rumo à semifinal e depois ter competido na semifinal com Wagner Vasconcelos (meu grande amigo) e mais 2 competidores. Eu e ele passamos para a final. Outra bateria que me marcou foi a final de um brasileiro em Maracaípe (PE) em que fiquei em terceiro. Estar em uma final do circuito brasileiro sempre foi mais um sonho realizado.

Como foi competir fora do Brasil?

Competir é sempre muito bom. Aprende-se muito nas competições. Competi apenas uma vez fora (Em Huntington Beach, California) numa fase em que eu surfava muito pouco e estava bem enferrujado, mas quando a sirene soa, o instinto competidor vem na hora. Acho que fiquei nas quartas de final. Não fui muito bem, mas a experiência é sempre válida.

Soubemos que você teve que vender rifa pra participar do mundial. Como foi isso?

Isso foi em 98 ou 99, se eu não me engano. Eu e Wagner ficamos sabendo de uma etapa do Circuito Mundial no Guarujá e ficamos malucos com a possibilidade de competir no Mundial e de quebra ver todos os nossos ídolos de perto. Tivemos a ideia de fazer uma rifa. Bom, tivemos a prova que temos muitos amigos. Vendemos tudo e bem caro. Resultado: pagamos as passagens de avião e o hotel com este dinheiro. Viagem inesquecível, com muitas aventuras e lembranças que levarei comigo pra sempre.

Qual a emoção de surfar Pipeline e como foi a sua primeira onda lá?

Outro sonho realizado. Não peguei Pipeline gigante, mas a onda é muito forte e o cuidado tem que ser redobrado. Dei muita sorte, pois o crowd é absurdo e consegui descer algumas ondas. Minha primeira onda foi para Backdoor (a direita de Pipeline) e o primeiro pensamento que veio foi: se eu morrer, pelo menos será em um El Rollo bonito… kkk. Mandei um El Rollo na boca do tubo e segurei o impacto.

Como você se sente sendo reconhecido como um dos maiores nomes que o esporte já teve até hoje?

Acho essa frase muito forte. Teve todo um grupo de bobyboarders que tinha sangue nos olhos. Cada um com o estilo mais lindo que o outro. Tenho muito orgulho da minha história e contribuição ao bobyboarding potiguar e de fazer parte desse grupo.

Quais nomes você pode citar como destaque nos anos 80 e 90?

Difícil falar dos potiguares, pois foram tantos. Cada um tinha uma característica de destaque. Então, para não dar uma lista enorme vou falar dos destaques nacionais. Mariana Nogueira surfava muito. Guilherme Tâmega nem se fala, e o estilo de Marcelo Siqueira é inesquecível.

Esse ano vai voltar a competir pela Liga Master? Quais os principais adversários?

É um dos objetivos para 2016. Bom, quem já competiu contra Marcus Prego sabe do que ele é capaz em uma competição. Além dele tem os caras que acho que surfam escondido como é o caso de Wagner Robson, que passa anos sem cair e quando aparece é uma metralhadora de manobras. Bom, espero poder competir bem, mas o objetivo maior é confraternizar com os amigos e fazer com que nosso esporte volte a crescer

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